O tráfego de dados na internet deve crescer 24 vezes no Brasil até o ano de 2013. Naquele ano, um volume superior a 200 horas de vídeo irá percorrer a internet brasileira a cada segundo. Esta crescente demanda pelo uso e compartilhamento de vídeo online, aliada ao acesso às redes sociais, pode se tornar um vilão que deve comprometer o funcionamento da internet nos próximos anos. O alerta foi dado pelo estudo Visual Networking Index (VNI), realizado pela empresa de conectividade Cisco.
Segundo o levantamento da Cisco, o tráfego de vídeo na internet, que hoje representa 33,3% do consumo de todos os usuários plugados na rede, deverá responder por 60% desse tráfego em 2013. Esse dado não inclui a troca de arquivos de vídeo através de programas do tipo peer-to-peer (P2P, que permite o download de arquivos diretamente de um computador para outro). Já a soma de todas as formas de vídeo na internet (TV online, vídeo sob demanda e P2P) deverá representar 91% do tráfego da rede em 2013.
Daqui a três anos, a internet será quatro vezes maior do que era em 2009. Até lá, o tráfego global de dados via internet vai quintuplicar. Serão 510 exabytes (1 EB equivale a 1.000.000.000.000.000.000 bytes) circulando por ano em 2012, crescendo para 667 exabytes por ano em 2013. Quando esse ano chegar, a internet terá de suportar a circulação mensal de um volume de dados equivalente a 10 bilhões de DVDs.
Na América Latina, o tráfego de internet atingirá 2 exabytes por mês daqui a três anos. Isso representará a circulação do conteúdo de 410 milhões de DVDs. No Brasil, o tráfego irá mais do que dobrar a cada dois anos. Em 2013, será aproximadamente nove vezes maior do que era no final de 2008.
Entre os países analisados no estudo de previsão da Cisco, o Brasil apresenta uma das mais altas taxas de crescimento projetado. Um exemplo disso é o impressionante aumento do tráfego móvel no país até 2013, que será 124 vezes maior do que o registrado em 2008.
Temor antigo
O estudo indica que, por conta do grande aumento no tráfego, a internet tende a ficar cada vez mais lenta e ter sua infraestrutura prejudicada. Notícias sobre um possível colapso da rede não são novas. Em 2008, já havia previsões de que o problema poderia se agravar em 2010. "A causa principal desse congestionamento brutal é a massa crescente de downloads de vídeos combinada com a transmissão ou uploads de novos conteúdos de imagem que circulam na internet em todo o mundo. Em 2011, apenas 20 residências norte-americanas poderão gerar mais tráfego do que toda a internet mundial hoje", assim dizia o vice-presidente de assuntos regulatórios da operadora AT&T, Jim Cicconi, em uma conferência em 2008. Já naquele ano, a cada minuto eram armazenadas oito horas de vídeos no YouTube. Hoje, o serviço do Google que este mês completa cinco anos de existência, recebe 20 horas de vídeo a cada minuto e contabiliza um bilhão de vídeos assistidos por dia.
Cicconi previa que a demanda por banda larga requerida pelos novos serviços em 2015 será 50 vezes maior do que em 2010. A solução, advertia, seria o investimento de US$ 130 bilhões na infraestrutura da rede. Hoje, em pleno ano 2010, é o atraso na disponibilidade da banda larga nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e na África que ainda faz com que a arquitetura da rede não atinja os limites de sua capacidade, como previsto por Cicconi.
Como bem observou Christen Krogh, executivo da Opera, ainda há cerca de 5 bilhões de pessoas no mundo que não utilizam a internet. Mas, segundo Krogh, esse número pode ser muito menor se forem contados os dispositivos móveis que podem se conectar à rede. Ele chamou atenção na semana passada, durante o Mobile World Congress, em Barcelona, para o fato de que haverá um "uso intenso da rede".
SITES COMPROMETIDOS Limitação de endereços atinge estágio crítico
Não é somente a grande enxurrada de vídeos e dados que pode colocar em risco o funcionamento da rede. Os endereços IPv4, que servem para registrar os sites na internet, já estão escassos, em virtude da grande quantidade de endereços eletrônicos existentes. No mês passado, a Number Resource Organization (NRO), entidade que representa os registros em todo o mundo, anunciou que restam menos de 10% de endereços disponíveis na internet mundial.
A previsão é de que os endereços IPv4 comecem a faltar em 2011 ou 2012. A solução é a migração para o protocolo IPv6, que utiliza endereçamento de 128 bits - oferecendo trilhões de endereçamentos a mais que os 32 bits do IPv4. São esses protocolos que permitem que computadores, servidores e demais dispositivos "conversem" na internet, mas os dois não são compatíveis entre si, daí a necessidade de uma migração completa, por parte de empresas e provedores, o mais rápido possível.
Em março do ano passado, o Google iniciou um trabalho para tornar acessíveis seus sites com endereços IPv6. Em outubro último, a União Europeia também iniciou o seu processo.
No Brasil, onde os endereços IPv4 devem esgotar entre 2012 e 2014, o Comitê Gestor da Internet já incentiva a implantação do novo padrão. Mais informações podem ser encontradas no site www.ipv6.br . Adicionar como favorito (0) | Publique este artigo no seu site | Visto: 467
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