Aqueles computadores velhos, abandonados em algum canto da sua empresa, escola, lan house ou até mesmo na garagem de casa, podem ressuscitar e voltar à ativa. O reaproveitamento de máquinas antigas - que acaba trazendo economia ao proprietário dos equipamentos e ainda colaborando com o meio ambiente - é possível graças ao conceito de virtualização de sistemas.
Com o uso de outro computador funcionando como servidor, os demais podem ser inicializados por ele, em rede, em um processo de "boot remoto". Assim, as máquinas antigas voltam a funcionar e, para isso, sequer precisam de disco rígido. Elas funcionam mesmo com pouco poder de processamento e com configuração limitada.
"A solução do boot remoto é uma combinação de várias outras soluções. O resultado da combinação dessas soluções permite a utilização de máquinas sem disco rígido, o que, além de diminuir o custo por máquina, apresenta a vantagem de centralizar a administração e a manutenção do sistema dessas máquinas em um servidor central", diz o analista de sistemas Rildo Landim. Cada terminal poupa, além do disco rígido, investimentos em memória RAM, já que esta demanda vai para o servidor.
A base tecnológica desta solução deriva do projeto LTSP (Linux Terminal Server Project, www.ltsp.org), conhecido na comunidade de usuários de software livre. No caso de uma lan house, empresa ou grandes famílias que desejam contar com uma rede doméstica, a solução permite a criação de áreas para os usuários - cada um tem acesso ao sistema através de login e senha. O número de usuários pode variar de acordo com o espaço em disco no servidor - um espaço de 20 GB reservados para isso, pode comportar 200 usuários, cada um com 100 MB de espaço para trabalhar.
Disquete
Os computadores antigos que podem ser reaproveitados vão desde os velhos Pentium de 100 MHz, com 16 MB de memória RAM, com suporte para qualquer tipo de placa gráfica. O computador terminal apenas necessita carregar um pequeno arquivo - chamado de imagem, de 50 KB -, que pode ser gravado em disquete, para efetuar a inicialização.
A economia dessa solução não se dá apenas com o aproveitamento dos equipamentos, mas também com o uso de software livre, de licença gratuita e que servem até mesmo ao usuário que desejar operar um sistema de banco de dados. O sistema operacional Linux, útil no funcionamento do servidor, e a ferramenta FlagShip, para banco de dados, são exemplos disso. "O FlagShip compila antigos programas Clipper e faz com que eles rodem em um servidor Linux", afirma Rildo Landim.
O analista de sistemas e seu colega Etaides Freire, que se conheceram durante um treinamento de Linux, resolveram implementar essa solução em várias empresas. Uma delas, uma grande loja de móveis de Fortaleza, conta hoje com "mais de 700 estações e consegue manter toda essa estrutura com apenas cinco profissionais de TI (tecnologia da informação), pois consegue-se minimizar muitos problemas, além de facilitar a interligação da empresa", atesta Landim. "Um bom servidor, micros sem disco rígido e programas em FlagShip geram um investimento barato e que diminui o custo de informática da empresa. Para quem pretende gastar pouco com informática e ter excelentes resultados essa é uma ótima pedida. E Fortaleza, celeiro de bons programadores, não podia ficar fora dessa tendência. Temos várias empresas usando essa estrutura e tendo ótimos resultados", afirma o analista.
Para colocar as máquinas antigas em funcionamento, o equipamento sem disco rígido precisa de uma placa de rede com Eprom de boot, que não custa caro, encontrada em qualquer loja de informática. A Eprom pode ser adquirida em lojas de eletrônica, por cerca de R$ 30. Adicionar como favorito (0) | Publique este artigo no seu site | Visto: 729
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